A produção artística de Antonio Sergio Moreira constitui uma investigação contínua sobre as formas pelas quais a memória afro-diaspórica permanece inscrita na matéria, nos corpos, nos territórios e nas práticas culturais, mesmo diante de processos históricos de apagamento.
Sua pesquisa parte da compreensão de que objetos, materiais e imagens não são apenas suportes formais da arte, mas portadores de experiências sociais, políticas e espirituais acumuladas ao longo do tempo.
Em sua prática, elementos provenientes do universo do trabalho, do descarte urbano, da arquitetura, da cultura material afro-brasileira e das religiosidades de matriz africana são deslocados de seus contextos originais para operar como dispositivos de memória.
Mais do que representar acontecimentos históricos, suas obras investigam como determinadas experiências permanecem materialmente presentes, sobrevivendo em gestos, superfícies, objetos e rituais que atravessam gerações.
A pintura, a escultura, a instalação e a curadoria constituem, assim, diferentes procedimentos de uma mesma pesquisa, cujo interesse reside menos na produção de imagens do que na construção de relações entre memória, ancestralidade, materialidade e patrimônio cultural.
Ao longo de mais de quatro décadas, sua produção consolidou-se como um campo de investigação interdisciplinar que articula arte contemporânea, pesquisa histórica, mediação cultural e práticas curatoriais, propondo novas formas de leitura da experiência afro-brasileira.
Toda pesquisa nasce de uma pergunta.
A minha pode ser sintetizada da seguinte maneira:
Como a memória afro-diaspórica permanece inscrita nos objetos, nos corpos e nos territórios mesmo quando os sujeitos que a produziram foram historicamente invisibilizados?
Essa pergunta atravessa toda a minha produção.
Ela não busca ilustrar acontecimentos históricos, mas compreender como determinadas materialidades continuam transmitindo experiências culturais, políticas e espirituais que escapam aos arquivos oficiais.
O conceito das obras de Antonio Sergio Moreira
“Minha obra se organiza em torno de três eixos conceituais principais, que se desdobram em séries. Estas séries estão em constante expansão, sendo continuamente enriquecidas com novas obras”.
Os eixos e suas respectivas séries temáticas são:
Essas séries constituem uma poética própria, onde memória, corpo e imagem são elementos centrais para a construção de uma narrativa visual que reafirma a presença e a história de um povo.